terça-feira, 17 de julho de 2012

Alone

"Every living creature dies alone"

Acontece de uma forma tão natural a vida que mal a vemos passar, mal percebe-se os seus pequenos detalhes e pequenos milagres diários, e no fim todos lutam contra um inimigo em comum: O tempo.

Parar, pensar, refletir... Algo tão estranho e difícil. Poucos o fazem e aparentemente muitos estão certos por serem assim. Entender quem somos, o que somos e o que nos tornaremos não é a atitude mais saudável que existe.
Existem buscas em comum, mas ainda assim o ser humano é orgulhoso demais para aceitar isso e admitir.

No fim se está mesmo sozinho.
Não basta apenas viver sua vida inteira negando semelhanças, querendo ser único, diferente e especial. Tem-se também de no final se arrepender de todos os seus atos e querer que sua individualidade não o faça ficar sozinho.
Todas as outras oportunidades que teve para estar com outros jogou fora, e em seu ultimo momento em que é inevitável ficar sozinho é que deseja com todas as suas forças não ficar. O poder do medo esmaga, a sensação tênebra de que algo desconhecido e ruim está a frente leva a instabilidades.


Sem conclusões, sem considerações finais... A questão inconsciente continuará sempre pairando ao ar, o máximo que se pode fazer é apontá-la com o dedo, muito longe para ser alcançada ou analisada. 
Mas tudo ficará bem, afinal é apenas mais um pequeno devaneio. Assim que a mente notar algo que chame a atenção e sair desse transe o foco irá mudar, e todas essas ideias vão desaparecer até o próximo momento que olhar para o céu.


O fim fica mais próximo a cada vez que pensamos nele.

sábado, 14 de julho de 2012

Não tenho um título para ti

Não sei o que escrever direito, mas por algum motivo senti vontade de entrar e escrever. Está bem tarde e nem deveria estar empenhado nisso, mas sinto que devia colocar em texto essa sensação.

Aquele momento singelo e tão difícil de se apalpar e sentir; Intangível é a palavra, distante como aquilo que não se consegue imaginar, mas ainda assim se sabe que existe e que pode ser alcançado.
Quando você consegue sentir que mudanças estão ocorrendo, que o mundo está fluindo, e que se levantar as mãos neste exato momento vai poder ver, mesmo que por apenas um único e ínfimo instante as correntes escorrendo por você.

Fases de transição, de percepção, de introspecção... Cada coisa acontecendo de uma forma, mas que ainda assim trabalham em conjunto, chegando a uma única resposta, um ser final que se molda aos poucos com o passar de dias, meses, anos, décadas... E pouco a pouco vai tomando forma até finalmente se tornar aquilo que não esperava: Você!

E então se dá conta que não estava assistindo, e sim se construindo, e agora tudo faz sentido. Ou pelo menos é isso que quer acreditar.
Ainda assim, não se deixe levar por esse pensamento, o rio ainda flui, a corrente nunca para, e a mudança nunca vai deixar de estar presente. Apenas acostume-se a ela, o tempo que durar, para se preparar para a próxima mudança e o próximo conceito.

Por vezes nos deparamos com verdades inigualáveis, mas o que não percebemos é que elas nunca saíram do lugar, fomos nós que amadurecemos o suficiente para agora enxergá-las.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Perdido...

As vezes parece que tudo está fluindo num ritmo que só os outros entendem. Isso é frustrante, como se você fosse aquela madeira fincada no meio da correnteza de um rio para mostrar a profundidade que o rio tem. Você não consegue acompanhar o fluxo, só fica parado servindo para nada ou pouco, e ainda terão aqueles que vão te olhar como um referencial e se manter afastados.

Deveria ter alguma coisa melhor para marcar a volta ao blog. Sorry! I don't have it.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Café


Hoje, depois de mais de 10 anos sem o fazer, tomei café.

Estranho como o momento glorioso de colocar a tal bebida turva e negra em minha boca se tornou melancólico e tedioso, acompanhado por um baque seco do relógio e o latido irritante do cachorro.
Como pode o momento de beber o tal liquido que me manteria acordado se tornar um momento tão desanimador? O gosto cerrado da bebida morna descendo pela garganta, se tornando um vazio triste e desolador que traz um amargo na boca e deixa a sensação de bebida velha e rejeitada nos lábios.

Aquele momento de reflexão, de olhar para a caneca e se sentar na cadeira contemplando o nada. E num momento para outro se acaba quando menos espera a cena descrita, você se apercebe que na verdade sua caneca já está vazia e a vida volta a andar como sempre foi.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Desnorteado


Ouvindo em loop. Apenas feche os olhos, não pense em nada, ouça cada nota ressoar desde o começo até o fim, uma interligando com a outra. Deveria lhe trazer sensação de paz, mas não hoje, apenas ouça e sinta. As variações tomaram conta da parte de dar um sentido, de te fazer reagir e se inteirar e incorporar à musica.
Sua vida pode estar descrita aqui, mesmo que sem palavra nenhuma. É possível quase que tocar o ar e as notas.
Então a musica acaba, e simplesmente não tem volta, a realidade bate a porta, e junto com o abrir dos olhos fica para trás, ofuscada, tudo que se passou. Uma vida, e ninguém notou.
A falta e vontade de compreender o que se passou é tanta que você não se detém e deixa novamente a musica tocar em loop infinito.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

ciclos espelhados

Estava relendo "A Náusea" e apesar de já fazer tempo que li o determinado trecho que vou citar (e minha memória ser ruim o suficiente para não conseguir guardar as coisas por muito tempo) ainda me lembro claramente da passagem em que Antonie descreve seu horror de se olhar no espelho.

Me pego pensando nisso todos os dias, após o banho, nas passadas rápidas pelo banheiro, nos momentos de pentear o cabelo, na hora de escovar os dentes ou simplesmente quando me encontro perdido em ideias dentro do banheiro olhando para o espelho.
Já sentia isso a muito tempo antes de ler o livro, mas quando você vê um hábito seu ali escrito e extenuado em todas as palavras começa a perceber melhor quem você é e o quão banal e normal aparenta ser. Uma coisa que é tão normal e que tantas pessoas o fazem que foi até mesmo parar em um livro de algumas muitas décadas atrás.

Interessante como olhar no espelho me faz pensar, é como se estivesse olhando dentro de mim mesmo e nesse momento tudo clareasse, estivesse nu e cru, abertamente exposto aos meus olhos e livre de julgamentos, até mesmo dos meus, eu pudesse falar e analisar as reais situações.

Não deveria gostar tanto de coisas quebradas

No momento olho e o que vejo são os pequenos traços do tempo escorrendo pelas faces. Olhos cansados, boca ferida, pálpebras caídas, olhar sem vida, rosto marcado, cabelo se aguentando, mas provavelmente o único que ainda tem um resquício de força e não vai durar por muito tempo.
Se começo a pensar, sob o olhar daqueles óculos vejo o passado, e as vezes as expectativas de futuro.
A ideia resultante não foi das mais agradáveis, mas ainda assim é válida.

Pequenos ciclos... Tudo se forma em pequenos ciclos.
Fugimos disso o máximo que  gostaríamos, mas no fim das contas somos pegos de surpresa, eles ainda estão ali, tão incrustados na nossa alma que é impossível se livrar deles. Eles se repetem, as vezes em circunstancias e contextos diferentes, com formas diferentes, mas em essência é uma repetição.

As mãos tremem e o medo de uma coisa que não conhece lhe toma o corpo. Se tudo é um ciclo é melhor o manter assim? mesmo que no fim do ciclo você sempre se sinta mal? Pelo menos sabe por onde irá passar e o que virá, como tudo terminará. Tentar o desconhecido e se esforçar por isso é um passo em direção a mudança, mas as vezes até mesmo esse passo está previsto pelos seus ciclos e você rapidamente cai no imutável, agora com menos esperanças do que antes.
No fim, existem mudanças?

Agora os olhos castanhos, mas que mais parecem acinzentados pela falta de expressão me levam a um momento no futuro, um breve momento, uma palavra que despertou uma memória e uma expectativa não concretizada.
"No fim, nunca vi os tais óculos novos, nem consegui meus 15 minutos."
Sim... apenas uma ideia solta, não precisa de mais do que isso.
A placa no meu quarto irá entrar nesse contexto de ideia solta também. Tem duas frases escritas nela, na frente "Não sei por que abro a boca em casa. Me pergunto isso todos os dias." e atrás, escrito hoje, tem escrito "Vou acabar decepcionando mais e mais a todos e a mim mesmo."
Só não esperava a segunda frase se concretizar tão rápido, pelo menos na questão de me decepcionar. (*O que de fato é mentira, meu caro ser hipócrita e apenas bonito nas palavras que vive juntamente comigo. Desde o começo de qualquer coisa você sempre se imaginou se decepcionando, independente de quem seja, o que seja, onde seja, como seja. O seu senso "realista" sempre te faz pensar nisso e tentar se preparar... não consegue ver que é mais um de seus ciclos? até mesmo achar que está se surpreendendo e tomar esses choques de realidade vindos de si mesmo? Sua passividade e ingenuidade me fazem te menosprezar, se é que isso é possível*)

Fim do texto por motivos pessoais perturbadores. prefiro não transcrever o diálogo de uma pessoa que se segue. Um monólogo me prontificaria, mas não a expressão completa de insanidade. (*é fraco demais para admitir*)

Vazio

Quando o vazio toma forma e preenche os espaços antes ocos. Obviamente que não muda seu estado, mas um evento ocorreu. O cinza sob o branco, maculando e enegrecendo as juntas. Deformando e envelhecendo as paredes. Mofando e decompondo as visões. Tudo por um leve instante acontecendo e a grande maioria incapaz de perceber, de notar, ou de se deixar olhar. Ignoram pelo fato de ser muito rápido, de parecer insignificante e assim, instante a instante, continuam a se deixar morrer e sumir.

Evans Hauss

Achei que não mais escreveria sob essa alcunha. Pretendia não o fazer, não o deixar avançar e tomar lugar. Tem ideias boas, algumas extremamente engenhosas, mas em geral são todas podres e sem vida, revoltadas e cheias de cicatrizes. 
A falta de equilíbrio me perturba, e deixar uma mente que denota muita raiva e desprezo se expressar me deixa temeroso.
Ainda assim não nego o quanto ele pode ser importante e as ideias que me vem por meio deste que é parte de mim. Voltemos ao objetivo inicial do blog (*já não sei quantas vezes disse isso ou coisa semelhante*). Deixe as ideias extravasarem, as sensações transbordarem, por mais pitorescas, surreais ou perturbadoras que sejam.

"Hoje sinto que não quero dormir, apenas escrever... Me normalizar. Isso me renova."